É constante a preocupação com o futuro da água potável no mundo e muito se fala sobre a economia e a preservação das fontes e recursos hÃdricos, cada vez mais escassos na humanidade. Rios, lagos e nascentes são o foco das discussões sobre a conservação do meio ambiente. Mas há outra importante fonte ameaçada: o lençol freático, responsável por 95% da água consumida no planeta.
O risco aumenta com falta de polÃticas ambientais e cuidados sanitários em cemitérios públicos. De acordo com a tese desenvolvida pelo Prof. Dr. Bolivar Antunes Matos, do Instituto de Geociências da USP (Universidade de São Paulo) o maior problema está nos cemitérios administrados pelos municÃpios, onde os sepultamentos ocorrem em covas rasas e diretamente no solo, sem qualquer tipo de proteção.
Em São Paulo, existem 14 cemitérios particulares e 23 públicos. Destes, 75% apresentam algum tipo de problema ambiental ou sanitário.
O Cemitério Municipal Vila Nova Cachoeirinha, na Zona Norte de São Paulo, é um exemplo de solo contaminado, falta de higiene e de condições sanitárias adequadas. Localizado ao pé da Serra da Cantareira, a formação geológica deste cemitério possibilita o escape do necrochorume para a superfÃcie e para o lençol freático, prejudicando comunidades vizinhas.
Ao cavar poços irregulares nas proximidades desses cemitérios, a população carente que mora no entorno corre o risco de consumir água potencial-mente contaminada pelo necrochorume, segundo pesquisa coordenada pelo Prof. Dr. Leziro Marques.
Outro pesquisador da USP, Prof. Dr. Alberto Pacheco, detectou bactérias e vÃrus capazes de transmitir doenças como poliomielite, meningite e hepatite A, por exemplo, em amostras de água retiradas do solo do Cemitério Municipal Vila Nova Cachoeirinha.
Por força da fiscalização impulsionada pela resolução do CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente –, os cemitérios particulares vivem uma realidade bem diferente, e já desenvolvem mecanismos de proteção aos mananciais. Atentas ao impacto ambiental e de olho no mercado fúnebre ecologicamente correto, funerárias investem cada vez mais no desenvolvimento de soluções para a contaminação do solo e do lençol freático. Alternativas viáveis que estão longe da realidade dos cemitérios públicos brasileiros.
Apesar das constantes campanhas e manifestações sociais e institucionais pró-meio ambiente, ainda há muito o que se fazer para proteger os recursos naturais.
Apesar de pouco divulgado, o problema é preocupante, já que 95% da água potável do mundo está no subsolo, segundo a Associação Brasileira de Ãguas Subterrâneas – ABAS.
Os dados levantam uma polêmica: o que fazer para evitar que o corpo humano contamine fontes preciosas de água subterrânea após a morte?
Por outro lado, há quem conteste os resultados apontados. Enquanto não se chega a uma conclusão única sobre a real possibilidade de contaminação das águas subterrâneas, o mercado desenvolve alternativas para evitar que o lÃquido atinja o solo.














Falar da contaminação da água num mundo em que os recursos naturais foram ignorados e desprezados durante centenas de anos pode parecer assunto corriqueiro, mas não quando se fala na participação de cemitérios nesse processo.




