RedBlueDark SmallMediumLarge NarrowWideFluid
lCarvoaria: a Indústria da Morte PDF Imprimir E-mail
Escrito por administrador   
Qua, 07 de julho de 2004 08:54

A maior província alagada do mundo, começou a ser consumida nos últimos três anos. A região leste do Mato Grosso do Sul - em torno de Ribas do Rio Pardo, um dos municípios mais pobres do estado - ex-capital do carvão -- encerrou a sua cota de cerrado nativo. Simples, acabou o mato.As carvoarias começaram a se mudar para a região de Bonito, incluindo o município de Jardim, onde fica a nascente do rio da Prata, um dos mais belos cartões postais da região. No MS são mais de cinco mil. Uma indústria que emprega crianças, trabalhadores irregulares, de outras cidades e estados. Volta e meia são escravizados. Uma cadeia produtiva exemplar, ao contrário, é lógico.

Uma das mais vergonhosas histórias desse Brasil iniciada na época da colônia, como narrou em seu livro "A Ferro e a Fogo", o americano Warren Dean. Minas Gerais, destino final do carvão, para produção de ferro gusa, nas siderúrgicas um dos componentes do aço, começou a queimar a mata atlântica em 1740, quando os escravos colocavam a madeira em "covas", poços cobertos por capim. Cada 100 toneladas de madeira, resultavam em 6 toneladas de carvão. E com 7 toneladas de lenha se obtinha uma tonelada de ferro gusa.

No auge, em 1860, as forjas exigiam desmate de 40 km2 por ano. Foram mais de 2 mil km2 que viraram carvão da época da Independência até a República. Em 60 anos, anotou Warren Dean, acabaram com a mata da região de Belo Horizonte e cercanias, como Sete Lagoas, onde se concentram as gusarias. Minas Gerais produz atualmente mais de 7 milhões de toneladas de ferro gusa o que exige uma área de mata em torno de 1 milhão de hectares. A cada tonelada de ferro gusa correspondem 150 mil hectares de mato.

Boi e Carvão

A situação da pecuária no MS, estado com 25 milhões de cabeças de gado, envolvido por sucessivos focos de febre aftosa - restringindo o mercado, paralisando a exportação - favoreceu as carvoarias. Os fazendeiros do Pantanal conseguem licenças para desmatar uma área, entregam as carvoarias, ficando com 5 a 10% do negócio. Alguns entregam só para ter a área limpa, disponível ao plantio de capim. Na parte sul do Pantanal, principalmente na região de Corumbá, pastam mais de 2 milhões de cabeças.

Uma pecuária pobre, normalmente de cria, para produção de bezerros (terneiros), que antigamente eram levados em tropeadas até a região de Presidente Prudente, no oeste paulista. Na situação atual os fazendeiros precisam fazer o ciclo completo, produzindo boi gordo, e aí somente com pastagem cultivada, ou agricultura, no caso de produção de silagem, mistura de grãos e forragem.

Recentemente o Globo Repórter mostrou a região e um dos empregados de uma carvoaria, lamentando o fato das árvores nativas se transformarem em carvão disse:

-O Pantanal vai virar carvão, não tem outro jeito.

Uma tonelada de carvão em 2005 custava R$ 45,00. Não aumentou muito mais que isso, porque a oferta é muito grande. Ela também funciona na Amazônia, no sul da Bahia, onde ainda existem pedaços intactos de mata atlântica. É comum ver os caminhões carregados de sacos de carvão, trafegando por estradas secundárias.

No Mato Grosso funciona um mercado que vende carvão de mato nativo, com notas de carvão de área reflorestada ou plantada. Fato também denunciado numa programa da Rede Record recentemente. O problema do Brasil é histórico. O país que detém 22% das plantas do mundo, sempre viveu de costas para a floresta. Ainda hoje os jornalistas de televisão divulgam a imagem "da selva", como algo inóspito, terrível, justamente a mesma imagem usada pelos europeus no século XVII ou XVIII.

Última atualização ( Qua, 08 de outubro de 2008 11:08 )
 

Fique por dentro


PHP Error Message

Notice: Trying to get property of non-object in /home/a3580598/public_html/jornal/modules/mod_rssfactory/mod_rssfactory.php on line 94

7/17/08, Energia Renovável cresce 60% »»
7/4/08, Greenpeace bloqueia usina à carvão mais poluente da Austrália »»
7/2/08, Um futuro mais limpo - e rentável - para trabalhadores das usinas de carvão »»
7/23/08, FAO anuncia nova base global de solos »»
7/23/08, Reunião sobre futuro de pântanos »»
7/23/08, FAO cria novo banco global de dados sobre solos (Português para o Brasil) »»
7/23/08, Subsídios agrícolas em debate na OMC (Português para África) »»
7/23/08, Banco Mundial contra efeito estufa »»